Academic journal article Canadian Journal of Latin American & Caribbean Studies

Sociologia Dos Movimentos Sociais: Um Blanaco das Teorias Classicas E Contemporaneas

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Sociologia Dos Movimentos Sociais: Um Blanaco das Teorias Classicas E Contemporaneas

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Observa-se que a partir dos anos de 1960, em varias regioes academicas do mundo ocidental, o estudo dos movimentos sociais ganhou espaco, densidade e status de objeto cientifico de analise. Isso ocorreu porque, em parte, os movimentos ganharam visibilidade na propria sociedade, enquanto fenomenos historicos concretos. De outra parte houve o desenvolvimento de teorias sobre o social, e as teorias sobre as acoes coletivas ganharam novos patamares, em universos mais amplos, construindo novas teorias sobre a sociedade civil, e um campo especifico sobre os movimentos sociais, tratados neste artigo como Sociologia dos Movimentos Sociais. Novas teorias surgiram demarcando o espaco da abordagem que ficou conhecida como a dos Novos Movimentos Sociais.

Na primeira decada deste milenio, com os movimentos anti ou alter-globalizacao e os movimentos transnacionais, o escopo das lutas ampliou-se para dimensoes territoriais que ultrapassam o estado --nacao e a tematica voltou a despertar grande interesse academico. Do final do seculo XX para a primeira decada do XXI surgiram movimentos que transitaram da antiglobalizacao (ou alterglobalizacao) para a negacao da globalizacao e seus efeitos sobre a economia e o social, especialmente apos a crise economico-financeira de 2008. Ocorre o "retorno" de movimentos sociais de carater transnacional na cena social, com os movimentos: Indignados na Europa, Occupy Wall Street, Primavera Arabe etc. Temos como hipotese que os atuais movimentos estao operando uma renovacao nas lutas sociais da magnitude que os novos movimentos sociais operaram nas decadas de 1960, 1970 e parte de 1980 (na America Latina). Retornaremos a este ponto no item III deste artigo.

Quando tratamos do enfoque teorico sobre os movimentos sociais, desde logo registramos: nao ha so uma teoria e sim varias, conforme o paradigma utilizado. Cada uma tem tido um entendimento sobre o que eles sao e qual o tipo de manifestacao social se referem. Para alguns os movimentos sao fenomenos sempre empiricos; para outros, sao objetos analiticos, teoricos, e nao necessariamente com formatos e sujeitos definidos. Varios analistas tem afirmado que a teorizacao sobre os movimentos sociais e a parte mais dificil na qual se encontram as grandes lacunas na producao academica. Por que? Concordamos com Melucci que anos atras ja dizia: "eles sao parte da realidade social na qual as relacoes sociais ainda nao estao cristalizadas em estruturas, onde a acao e a portadora imediata da tessitura relacional da sociedade e do seu sentido" (Melucci 1994, 190). Ou seja, os movimentos transitam, fluem e acontecem em espacos nao consolidados das estruturas e organizacoes sociais. Na maioria das vezes eles estao questionando estas estruturas e propondo novas formas de organizacao a sociedade civil e politica. Por isto eles sao inovadores-como ja nos indicava Habermas nos anos de 1970, e sao lumes indicadores da mudanca social, ou o coracao da sociedade, seu pulsar, nos dizeres de Touraine (1984). Citando ainda Melucci "eles sao lentes por intermedio das quais problemas mais gerais podem ser abordados e estuda-los significa questionar a teoria social e tratar questoes epistemologicas tais como: o que e a acao social" (1994, 190). Sabemos tambem que a teoria da acao social tem sido pensada no interior de horizontes paradigmaticos teoricos diversos, tais como: o materialismo historico, escola de Frankfurt, fenomenologia, interacionismo, correntes hermeneuticas, ciencias da linguagem e da cognicao, teorias da comunicacao etc. A seguir apresentamos uma sistematizacao destes paradigmas para as teorias classicas dos movimentos sociais.

Paradigmas Teorico-Analiticos Classicos sobre os Movimentos Sociais

Para nos um paradigma e um conjunto explicativo onde encontramos teorias, conceitos e categorias, de forma que podemos dizer que o paradigma X constroi uma interpretacao Y sobre determinado fenomeno ou processo da realidade social. Kuhn (1975) o fisico responsavel pela difusao mundial do termo afirmou que na ciencia um paradigma surge toda vez que e dificil envolver novos dados em velhas teorias. …

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