Academic journal article Diálogos Latinoamericanos

Escola E Estetizaçao: Possíveis Aproximaçôes1

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Escola E Estetizaçao: Possíveis Aproximaçôes1

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Minha intençao, com este ensaio, é colocar em análise algumas ideias acerca da escola como um aparato estetizante. Mais propriamente, propor algumas questöes sobre como urna historia da educaçao poderia contribuir para evidenciar efeitos estetizantes da forma escolar.

Em primeiro lugar, creio que é necessário especular um pouco sobre essa ideia de estetizaçao. Nao pretendo me estender muito nem com a profundidade que tal vez seja necessária. Mas vou procurar delimitar um entendimento que tome minha reflexao algo plausível.

Sobre estética e estetizaçâo

Parto já do entendimento de que a estética nao diz respeito nem a urna teoría do belo nem a urna filosofía da arte, mas a um modo de existir que implica um conjunto de atributos, valores e perspectivas/possibilidades de açâo, sem reduzir-se a nenhurn desses très redutos.

Falo de atributos no sentido de demarcar aspectos pertinentes à aparência e à performance do sujeito e do mundo, ou seja, um fluir de imagens e signos que impregnam a realidade e podem, por um lado, ser associados ao embelezamento, estilizaçâo, simulaçao, hedonismo, fruiçâo, consumo, entretenimento, mimetizaçâo, polidez, encenaçâo ou narcisismo - quando tratamos da estetizaçâo que abarca a superficie do que existe. Por outro lado, podem ser associados mais radicalmente ás condiçoes de flutuaçâo, mobilidade, variedade e aparência - quando tratamos de considerar a evidéncia da possibilidade de outras formas de ser, de conhecer e de viver. O primeiro sentido diz respeito àquilo que se chama estetizaçâo superficial e que pode ser recoberto por um certo extremo de relativismo do gosto, um tanto-faz que dissimula a fragilidade ou a leviandade dos padröes moráis. O segundo sentido diz respeito àquilo que se chama estetizaçâo profunda e que implica em urna atitude relativista-crítica que sempre pondera que ver alguma coisa significa sempre deixar de ver alguma outra. Essa segunda posiçâo diz respeito à compreensâo de que a singularidade do nosso conhecimento e da nossa existência sâo a evidéncia da possibilidade de outras formas de conhecer e de viver. Nesse caso, somos levados a entender que a pluralidade é um coletivo de singularidades. E que o mundo, a realidade, nada mais é do que um conjunto infinito de exemplos, todos eles plausíveis e sempre insuficientes ante a ilimitada potência de vir a ser algo que aínda nâo é.

Falo de valores no sentido de associar definitivamente estética e ética. A atitude estética diz respeito ao exercício de uma forma de racionalidade que incluí o sensível, a sensaçâo e a sensibilidade de modo que se coloque permanentemente sob suspeiçâo a validade de normas éticas universais. As exigências das diferentes formas de vida, em sua particularidade local e regional, nâo podem ser deliberadamente convertidas em globais. A vida cotidiana, na sua condiçâo de pluralidade, cria novas metáforas e novas formas de conceber o sujeito de modo que estamos constantemente ampliando o espectro de compreensâo do mundo. Assim, o que reafirmo é que um julgamento moral nâo se realiza sem que haja um julgamento de gosto, ou seja, os juízos estéticos e a razáo prática sâo inseparáveis.

Por fim, falo de perspectivas e possibilidades de açâo na medida que entendo que todo modo de existência é um caso particular do possível. Porque entendo que a vida e a realidade é uma coleçâo de exemplos, todos eles plausíveis, é que entendo que as forças da imaginaçao, da sensibilidade, das emoçôes e da invençao sao mais efetivas para o agir cotidiano do que principios abstratos ou qualquer fundamentaçao teórica. A experiencia estética, nesse sentido, dirige nossa atençao para o inesperado, para o desconhecido, para aquilo que é diferente de nós, abrindo um espaço para a experiência que nao pode ser dado pela justificaçao racional. A experiência estética traz a singularidade que confronta a aplicaçao de principios em favor da contextualizaçao das contingéncias da vida humana. Ou seja, a experiência do outro, a consciéncia da alteridade me dá consciéncia da finitude e do limite do meu conhecimento e me incita a ampliar os limites da compreensäo. …

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