A Origem Dos Maus-Tratos: Revisão Sobre a Evolução Histórica das Perceções De Criança E Maus-Tratos

By Oliveira, Raquel, V; Pais, Lúcia G. | Psychology, Community & Health, January 1, 2014 | Go to article overview

A Origem Dos Maus-Tratos: Revisão Sobre a Evolução Histórica das Perceções De Criança E Maus-Tratos


Oliveira, Raquel, V, Pais, Lúcia G., Psychology, Community & Health


[Author Affiliation]

Raquel V. Oliveira: Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde (UIPES), ISPA - Instituto Universitário, Lisbon, Portugal:

Lúcia G. Pais: Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, Lisbon, Portugal:

Lúcia G. Pais: Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, Lisbon, Portugal:

Lúcia G. PaisResearch Unit in Psychology and Health - UIPES, I&D, ISPA - Instituto Universitário, Lisbon, Portugal:

Original Language Abstract:

Objetivo

Neste trabalho elabora-se, com base em revisão bibliográfica, a evolução histórica das perceções acerca de maus-tratos e de criança. Começa-se por abordar o constructo de maus-tratos, passando seguidamente pela Antiguidade e Idade Média, onde as crianças eram sujeitas a constantes maus-tratos, sendo prevalentes os maus-tratos físicos, abuso sexual e o trabalho infantil, progredindo até à Idade Moderna, onde a criança passa a ser vista como um ser com características particulares e merecedor de cuidados especiais. Aborda-se de forma breve as tipologias de maus-tratos na atualidade e as variações culturais.

Conclusão

Torna-se fulcral compreender o impacto que os maus-tratos têm vindo ao longo da histórico e que continuam a ter na atualidade, sendo fundamental a considerar estes aspetos nas intervenções a serem desenvolvidas nesta área, tendo em particular consideração o amplo leque de variações culturais cada vez mais presentes e evidentes.

Os maus-tratos apresentam-se nas sociedades ocidentais atuais como um fenómeno social de destaque. Não são, no entanto, um fenómeno recente, mas um que esteve presente ao longo de toda a história da humanidade tendo, como tantos outros, sofrido alterações, mutações, assumindo atualmente formas diferentes daquelas vistas em séculos anteriores (Azevedo & Maia, 2006 ; Coelho, 2006 ; Cordeiro & Coelho, 2006 ; Finkelhor, 2002 ; Radbill, 1987). O estudo histórico da evolução das perceções de infância e de maltrato revela-se fulcral, na medida em que se verificam grandes diferenças na forma como as crianças eram vistas, educadas, tratadas e o que delas era esperado, em relação aos dias de hoje (Cordeiro & Coelho, 2006 ; Silverman & Wilson, 2002).

Não menos importantes são as muitas variações culturais do fenómeno de maus-tratos que se observam ainda no mundo atual, podendo apresentar-se como uma dificuldade na atuação por parte de psicólogos e órgãos da justiça tendo em conta a multiculturalidade que o fenómeno da globalização tem produzido (e.g., Azevedo & Maia, 2006 ; Coelho, 2006 ; Korbin, 1987 ; Tucker, 1992)

Maus-Tratos à Criança: O Conceito

Existe uma necessidade de operacionalizar o conceito de maus-tratos, no entanto, são várias as dificuldades que se impõem, desde a concordância quanto à incidência do fenómeno, às várias áreas teóricas (legais, médicas, psicológicas, etc.) que o procuram definir, e às diferenças culturais existentes, etc. (Grilo, 2004 ; Oliveira-Formosinho & Araújo, 2002 ; Palacios, Jiménez, Oliva, & Saldaña, 1998 ; Palacios, Moreno, & Jiménez, 1995 ; Rieder & Cicchetti, 1989). Uma outra questão que se levanta é relativa à abrangência do conceito: uma definição muito restrita pode não incluir formas de maus-tratos fundamentais e atuais mas, por outro lado, uma definição demasiado abrangente pode incluir atos que, ainda que podendo ser postos em causa, não podem ser considerados como uma forma de maus-tratos (Azevedo & Maia, 2006 ; Leandro, 1988).

Assim, no geral, e segundo diretrizes internacionais (Azevedo & Maia, 2006 ; Oliveira-Formosinho & Araújo, 2002 ; Palacios et al., 1995, 1998), tendem a considerar-se maus-tratos qualquer ação e/ou omissão, não acidental, praticada pelos pais, outros adultos, ou pela sociedade em geral, que coloquem em causa a satisfação das necessidades físicas e/ou emocionais do menor, ou da plena execução dos seus direitos e liberdade (entendendo-se por menor qualquer indivíduo com menos de 18 anos). …

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(Einhorn, 1992, p. 25)

(Einhorn 25)

(Einhorn 25)

1. Lois J. Einhorn, Abraham Lincoln, the Orator: Penetrating the Lincoln Legend (Westport, CT: Greenwood Press, 1992), 25, http://www.questia.com/read/27419298.

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    "Portraying himself as an honest, ordinary person helped Lincoln identify with his audiences." (Einhorn, 1992, p. 25).

    "Portraying himself as an honest, ordinary person helped Lincoln identify with his audiences." (Einhorn 25)

    "Portraying himself as an honest, ordinary person helped Lincoln identify with his audiences." (Einhorn 25)

    "Portraying himself as an honest, ordinary person helped Lincoln identify with his audiences."1

    1. Lois J. Einhorn, Abraham Lincoln, the Orator: Penetrating the Lincoln Legend (Westport, CT: Greenwood Press, 1992), 25, http://www.questia.com/read/27419298.

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